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    Alex Bezerra de Menezes


    Caros leitores, o site está pronto:

    alexmenezes.com.br

    Obrigado e abaixo a entrevista na íntegra do programa do Jô:

     



    Escrito por alexbezerrademenezes às 11h40
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    COMUNICADO AOS LEITORES

    Caríssimos leitores.

    Estou esses dias algo fora do ar sem adicionar novos textos.

    O motivo é que estou empenhado no novo site onde em vez deste blog, haverá todos os textos que já escrevi.

    Lá estarão reunidas as crônicas, os artigos, contos, romances, as duas peças teatrais bem como as entrevistas que já dei na TV.

    Conto com a colaboração do costume e em breve teremos uma página completamente reformulada onde iremos conversar de forma descontraída.

    Segunda feira, 22 de novembro, o site entrará no ar.

    Grande abraço a todos e até lá! 



    Escrito por alexbezerrademenezes às 00h45
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    Poema do Tempo e da Dor

     

    Quanto tempo dura um espanto?

    Mais, ou menos do que um pranto?

    O tempo que leva para a seda coser

    É o mesmo que gasta para se desfazer

    Entre o raio e o trovão há o descalabro:

    Instante crítico que antecede o tom macabro.

     

    É sincera a dor que só há no semblante

    A não ser que se há iluda e a implante.

    Se a questão que precede o tempo indolor

    Fica clara a sensação de mero bolor.

    O dente que assola lateja ambidestro

    Doente, a existência equivale a seqüestro.

     

    A mitologia nos tributa frios caminhos outonais:

    - Só nos resta sorrir e julgar as dores divinais.

    O heroi pranteia: o destino os corta do seu lar

    Nada perdoa, caráter, honra: sutura a jugular

    São belos, vistosos, mas todos fracos Já São.

    Teseu, Perseu, Aquiles, até  o tolo do Jasão.



    Escrito por alexbezerrademenezes às 00h44
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    A Vitória da Derrota

    O projeto de poder do PT venceu; o brazil perdeu. Perdeu o brazil sério, que estuda, trabalha para melhorar a si à coletividade.

    Ganhou o brazil do atraso, assistencialista e ignóbil, que padece do mal eterno de fazer-se pior do que realmente é.

    A vitória petista se deu, à exceção do RJ, nos rincões mais miseráveis do país, onde o culto à demência é tão tradicional quanto a fome.

    Entre os 135 milhões de eleitores apenas 3,8% tinham curso superior. 5,89% são analfabetos. É o reino perfeito onde o rei Lula pode reinar em folgada popularidade, onde pode sim indicar um poste, uma mureta, um animal unicelular que fosse, e estaria eleito, porque o miserável social ignora o que ignora. Apenas geme.

    Quando a presidente eleita estiver às margens de um doloroso processo de impecheament acusada de corrupção grossa, porque a direita poderosa e reacionária não a irá deixar em paz para rapinar os cofres públicos porque não tem a simpatia do sicofanta-mor chamado Lula, a massa doente que a elegeu não sentirá nada; nem saberá direito o que estará acontecendo, porque ela estará sendo presa, etc.

    Que a elite política apodrecida que apóia a candidatura do PT fará todo o possível para tornar os escândalos da primeira administração anterior um mero furto de carteira parece não haver dúvida; dúvida haverá se o PT eliminará o germe de facção criminosa em que se tornou. Veremos.



    Escrito por alexbezerrademenezes às 00h34
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    O Silêncio do Poeta

    Muitos leitores me indagaram sobre o engajamento público de Chico Buarque de Holanda à chapa petista. Chico não é o primeiro grande artista a simpatizar com governos despóticos. Ocorreu a Ezra Pound em relação a Mussolini. Ocorreu a Sartre em relação a Stalin.

    Inobstante à arte, a questão de Chico Buarque é muito mais de fé no PT. Não é uma questão de ideologia; é de fé, e fé não se discute.

    A ingenuidade de Chico se dá pela ilusão de que aquele PT que seu pai ajudou a fundar ainda existe. Acontece que ele sabe que não existe mais. Acontece que Chico não se beneficia, como Caetano, Gilberto Gil e outros medalhões da MPB da sacola que o governo distribui patrocinando shows desses artistas.

    Ora direis, se ele não apóia os petistas para no futuro buscar auspícios no governo porque o faz então? Politicamente míope ele não é, ou não parece ser.

    Isso torna Chico uma personalidade complexa, do ponto de vista político.

    É verdadeiro que o despotismo raivoso do PT e da figura hedionda e primitiva do Ex-Lula, contamina e embota todas as mentes, as boas inclusive. O que machuca.

    Esta missiva não é terminantemente um libelo contra o PT; o seu oponente PSDB goza da mesma miséria institucional e mesmo os tucanos vencendo, quem continua perdendo é o pobre brazil.

    O grande Chico Buarque, herói nacional, que usa a voz e a palavra com mestria dessa vez podia ter contribuído poeticamente com o silêncio.



    Escrito por alexbezerrademenezes às 23h26
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    Cinema do Cinema

    Corria gordo tempo que eu não falava com vocês sobre cinema; emagreça tempo!, reavive as memórias que é o modo mais eficiente de esquecer.

    A vida é um cinema no claro, com alguma fila e interrupções brutas, as melhores cenas são rodadas nos calabouços das consciências, o maior set de filmagem de todos os tempos.

    Veda-se com fumaça os sentimentos mais delicados que perturbamo desassossego.

    É de onde eu imagino que vem o medo de ter medo.

    Mas o assunto é o cinema; e sendo ele cinema a arte de produzir na tela o que a vida é incapaz de produzir com poesia cá fora nessa ficção sem enredo só com interrupções...; não sei onde quero chegar.

    Talvez a contaminação por cinematologia cause distúrbios irreversíveis na área externa do cérebro.

    Eu, quando quero irradiar introspecção onde apenas cabe uma dose de distopia, é motivo mais do que absoluto para estancar a escrita e escrever no pensamento. Imagine uma ferrugem que repentinamente se apodera da superfície de um floco de neve.

    Tal é a sandice. É daí que brota o gérmen que faz a vida superar o cinema, quando a vida quer ser apenas vida e não imitar nada nem ninguém.           



    Escrito por alexbezerrademenezes às 00h43
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    Mineiros Herois?

    Muitamente me impressionou o relevo que se deu ao drama dos mineiros chilenos. Espoliados pela barbárie de um trabalho desumano, todos eles não são nada ou são sim: aquele tipo de mão de obra sinistra que ninguém aceita fazer, exceto por vocação ou necessidade; a necessidade representa 99,99% deles.

    Pois bem. Bastou a tragédia para essa subclasse ser lembrada e ovacionada.

    Primeiro que eu não os considero heróis. Heróis de quê? Heroísmo pressupõe ações para a salvação alheia; à própria salvação o termo é outro: obrigação.

    Naturalmente a doença social que se alastra mundialmente precisa fabricar “heróis” para seu deleite e seu comércio, que é o que tudo move.

    Um dos mineiros, irritado com o assédio assim que saiu da mina, foi tomado de uma luz de sensatez e de um espírito que me fez lembrar Goethe, anunciou aos abutres da imprensa:

    - Eu não sou uma celebridade, sou um mineiro.

    A lucidez deste único homem esmaga a insanidade que tumultua todas as mentes continentais. Um poeta certa feita disse que Voltaire valia mais do que todos os homens. A emenda que faço é que não se precisa ser um Voltaire para valer uma espécie inteira; basta um lampejo de percepção do real.

    Não sei o nome deste mineiro, mas já está no meu panteão particular, esse é o herói discreto que como o solado Polístrato que na Guerra de Troia foi o primeiro a contribuir com a vida na invenção real de Homero, não fez mais que celebrar alguma coisa que não sei ao certo o que é; e assim segue o mundo, um contribui com a vida, outro com lucidez. 



    Escrito por alexbezerrademenezes às 21h57
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    Entrevista no Programa do Jô



    Escrito por alexbezerrademenezes às 22h38
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    O Paradoxo da Morte

    Nicola Tesla Exibindo a eletricidade

     

    Dia desses estava eu a cogitar, veja mesmo, sobre a morte, não como uma ameaça, mas como um fenômeno estético que supre as deficiências e as precariedades da natureza.

    Pela primeira vez não a temi.

    Como não a temia Nicola Tesla enquanto irradiava suas energias no seu laboratório-teatro do Colorado para pavor e deleite de quem ousasse vê-los a ambos em ação.

    Como Sócrates, sem saber de Sócrates, raciocinei que se ela morte se instalasse por entre mim, iria ter com amigos queridos que há muito já se foram.

    Desse modo a cessação da vida passaria de perda para reabilitação.

    Tudo neste mundo são compensações transitórias.

    Não o quero convencer a desdenhar da morte com esse tal desatino, por óbvio; são introspecções personalíssimas que compartilho aqui com você porque sou um enorme de um sem educação.

    Mark Twain satirizava que quando estivesse perto de morrer iria morar em Manchester:

    “Eu gostaria de morar em Manchester na Inglaterra. A transição entre Manchester e a morte não seria notada

    Claro que deve existir um zilhão de Manchesters por esse mundo de não sei quem; o difícil é encontrá-las, porque são muitas.

    Todavia, o doce hálito de Afrodite (como chamavam os poetas gregos a morte) pode ser acerbo e melífluo num só toque; tudo depende da necessidade de quem está contribuindo com a vida para deixar a morte viver.



    Escrito por alexbezerrademenezes às 22h55
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    Apelando ao Criador

    Os Muros de Jericó não resistiram à investida de Josué. A lua e o sol, astros obedientes (o que é uma extravagância em se tratando de astros...), recuaram (Josué, 10:12 a 15) um pouco para dar guarida ao guerreiro judaico. Isso revela a parcialidade de Deus em resolver conflitos antigos.

    Quero ver Ele atuar hoje e agora. Aí sim seria um espetáculo.

    É claro que o papiro e as tabuletas de estilo eram a internet e o computador daquele tempo, mas convenhamos que sem platéia vívida e atual, as lembranças e as histórias ficam embaçadas com o fermento do tempo.

    Nós aprendemos a adorar o Deus judaico por transmissão cultural; tivesse o poderoso Império Chinês a política de expansão do império e cá estaríamos a adorar um elefante, um gato ou qualquer que se mova com ou sem patas. – com grande prejuízo emocional.

    A inação de Deus me causa um certo constrangimento cristão; reunidas todas as tragédias não dão um grão da benevolência de Deus, mas entendo que o homem, incapaz de guiar-se a si, carece urgentemente de um leme divino que o conduza à bem-aventurança sem os equívocos partidários das guerras em defesa dos sionistas (hebreus) mas uma ação global e supranacional é do que carece o planeta.

    Esse apelo frouxo ao Criador não intenta estragar seu dia, cordato leitor, nem lançá-lo indomitamente a uma disputa insana contra a maior Potência física e espiritual que existe, nada disso.

    O que eu procuro é desobstruir os canais onde circula a morosidade e anemia social, que entra guerra sai guerra, idem a eleições, e não se reúne para dar um basta a tanta incorreção pessoal.

    Já que o apelo aos semelhantes tem se mostrado inócuo, vai que aborrecendo o Criador com essas ninharias alguém se irrite e faça algo...



    Escrito por alexbezerrademenezes às 23h48
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    Um Produto Célebre!

     

    “...E a própria vida ainda vai ficar sentida/vendo a vida mais vivida que vem lá/ da televisão...” -  A Televisão – Chico Buarque, 1967.

    Não lembro em quais dos hebdomadários que leio saiu uma matéria de fulcro curioso; curioso e revelador dos hábitos e arames em que vivemos nós você e todo mundo.

    A notícia noticiava que a modelo teuto-brasileira (Bündchen...) Gisele não usava o xampu que anunciava, porque o produto é uma bela porcaria, e sua cabeleira não admite porcarias, exceto para ganhar dinheiro. Angélica, esse outro desfalecimento da razão humana, anuncia um esmalte que jamais esmalteará suas unhas ricas; Xuxa, o linfoma pediátrico dos anos 80, vende outras centenas de quinquilharias que não faz uso, porque não prestam ou estão abaixo de critérios obscuros só esclarecidos pelas mentes célebres deste país incélebre.

    Ivete Sangalo, Hebe, Luciano Huck, Gugu Liberato, todos esses próceres da revolução do vazio intelectual vendem produtos que claramente não irão usar. São corruptos mercadológicos? Oportunistas do capital e da senilidade da massa? Decerto! É para doentes que se vendem remédios, ora bolas.

    Dia desses estava eu a andar por necessidade ou por descuido no extremo leste da cidade de São Paulo. Para você leitor de alhures, o extremo leste de SP é o cancro necrosado da cidade, se a cidade fosse um corpo doente – como de fato é. Onde estava eu? Sim, por esse pedaço trágico da geografia urbana. Observei atentamente um cartaz de um empreendimento imobiliário com a foto de uma dessas “celebridades” do momento anunciando os imóveis. O castigo pelo logro seria condenar a figura para morar lá.

    Marcos civilizatórios nem sempre são quedas de impérios, instalações de obeliscos, ou revoluções que sufocam o que há de mais nojoso no tecido social.

    Quando temos uma sociedade pautada pelo modus vivendi das mau ditas celebridades isto também é um sinal inapelável de degradação.

    Dia desses, almoçando e vendo o Jornal Hoje da Globo, a jornalista Zileide Silva nos “informou” com furor sobre mais uma prisão de Lindsey  Lohan. Eu vomitei o que comia. Se essa moça foi presa ou foi reduzida à qüinquagésima potência eu não quero saber; ela morta ou viva ou presa e entupida de cocaína no que me afeta? Em tudo! Sou obrigado a vê-la em matutinos, periódicos, sem nenhum prejuízo ao meu esôfago.

    A cancerígena imprensa (mundial) alimenta a si e a todos com esses “escândalos”, com essas tramóias de gente que deveria já estar extirpada, mas seguem célebres por motivos que ignoramos. Ai de ti Roma!; despedaçada pelos horrores dos romanos...

     



    Escrito por alexbezerrademenezes às 00h00
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    Pólux, Castor e Tiririca

    Segundo ou terceiro ou quais mais ordinais eternos houver, conta-se que Pólux e Castor deixaram um legado extraordinário ao culto da amizade; claro que...; claro que nada.

    Ontem resolvi refleti enquanto subia a alameda Campinas a carro. Olhei em derredor e vi um taxista; a boreste uma linda menina com um carro ultra luxuoso (Porsche Cayene), na calçada um entregador da companhia de gás (Comgás), a estibordo uma babá com carrinho onde repousava um bebê.

    Diante desta salada russa me perguntei em calafrio: quais destes seres humanos iriam votar no palhaço Tiririca para a Alta Câmara Federal?

    As pesquisas apontam que ele amealhará coisa de 1 milhão de votos.

    Vota-se em Tiririca e elege-se por tabela um sicofanta, pilhado no escândalo de mensalão, para ficar no exemplo mais rasteiro.

    Se aquele-este povo elegerá um energúmeno (ver significado) como este senhor para um dos postos de maior relevo na República, é porque não há mais república, ou pelo menos àquela com que Marco Aurélio imaginava e por ela morreu.

    A perversidade do sistema eleitoral brasiliano contempla essas bizarrices porque o brasileiro é bizarro não por natureza, mas porque contraria a natureza, que por isso o despreza e torna o país no que é o país, uma desolação política.

    O que Pólux e Castor tem a ver com isto eu não sei nem você saberá; cá fica mais um mistério para se juntar aos milhares que já existem na terra e fora dela.



    Escrito por alexbezerrademenezes às 23h58
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    Alegria, Alegria

    Não sei se vocês lembram dos felizes coveiros de Hamlet; flamejantes e sorridentes, executando a tarefa de enterrar com a mesma alegria que deve ter um tecelão no tear.

    A promessa das grandes religiões de que um dia a morte será revogada não atrai muito público, já que faz algum tempo que tudo o que nasce morre.

    A elementar tarefa da morte não é fazer chorar os que vivem, nem cassar o direito aparente dos viventes de continuarem a viver; é outra coisa.

    Para que tudo começou quando tudo acaba?

    Os poetas e os mendigos que sabem satirizar a morte como ninguém, devem dar de ombros para seus efeitos. A idiossincrasia da morte está em não perdoar virtudes; para ela tanto faz um virtuose como um demente, um celibatário ou um prostático.

    Por tais engenhos, a morte é o fenômeno mais perfeito que existe na natureza; a vida ainda dá chance de um infame viver até a velhice; já a morte, indiscreta, ceifa até no ventre a vida que sequer começou, sai seu caráter democrático e apesar de impiedoso, justo.

    De certeza, certeza mesmo, não sabemos o que nos aguarda lá no “país desconhecido de onde nenhum viajante jamais voltou”, como diz o melancólico e morto Hamlet; as especulações servem para sondar, confortar e até irritar, dependendo do que se promete nos pós vida.

    A onda de espiritismo que avança nos cinemas, TV, teatro e literatura(?) é mais um ponto positivo para desmistificar o nobre ato de morrer; a ideologia pseudo-cristã de Kardec é eficiente do ponto de vista mercadológico, mas até isso não sobreviverá à morte.

    Bom fim de semana para todos nós, menos para o pessoal da Receita Federal, da campanha do PT e da Casa Civil, cujos dias úteis é que são seus verdadeiros finais de semana.



    Escrito por alexbezerrademenezes às 01h12
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    O Galo de Sócrates

    “.... o sândalo perfuma o machado que o feriu....”

    Definitivamente a poética ainda terá um papel relevante a cumprir.

    Compactuo com você desta esperança porque tenho esse hábito claudicante de acreditar no etéreo.

    Veja o caso de Sócrates. Sócrates, à porta da morte, pediu para tomar um banho a fim de não constranger o homem incumbido de lhe ministrar a cicuta; e mais, pediu, segundo nos conta Platão em seus Diálogos, que Asclépio pagasse uma dívida que havia contraído com o vizinho, a dívida era um galo; minto, não é Asclépio, é a Esculápio a quem o sábio deve a ave:  

    - Não te esqueces, Crínton, eu devo um galo a Esculápio. Promete-me que o pagarás.

    Eu não sei se isto foi um belicismo moral socrático, uma fatal ironia, ou uma mera cordialidade, virtudes das mais admiradas num homem ilustrado.  

    O manejo com que o grande filósofo equilibrou a vida após o anúncio de que ia morrer tem muito a nos dizer, apesar da nossa mortalidade, da nossa timidez sem cura, da nossa insignificância enfim. É um dos mais belos capítulos no eterno livro das ironias.

    Dolorosamente não podemos mais contar com vultos como esses, porque a fábrica que fabrica grandes homens está emperrada desde a morte da ousadia.

    Em ultimíssima análise, nem a solidão é capaz de destruir coisas que no tempo das grandes mentes poder-se-ia chamar inquebrável.

    Não obstante, prevejo que a anemia intelectual se dê mais em nós do que nos outros. Explico.

    Millôr Fernandes escreveu esses dias que não era difícil o surgimento de gênios; difícil mesmo era encontrar quem os reconhecessem como tais.

    É isso; acho que já disse o que precisava em 11 parágrafos. Se escrevesse uma linha a mais passaria moderado a imodesto e, portanto, não quero ser advertido pela crítica do passado. 



    Escrito por alexbezerrademenezes às 22h20
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    Mude Já!

    O homem de guerra, em tempos de paz, guerreia com ele próprio. Agora e o homem sem paz e sem guerra, amorfo de tudo, o que se pode dele esperar?

    O pior.

    O pior porque há na genealogia humana uma têmpera que une o sublime ao espúrio e desse amálgama não pode resultar nada senão a lassidão.

    Se a guerra é uma operação necessária para a propagação e persistência do humano, ela é também uma fonte estranha da aniquilação daquilo que quer preservar e sinceramente eu não encontro nenhum paradoxo mais saboroso no universo.

    Desde Ur até Constantinopla, passando pela Nova Amsterdam (atual New York) e pelos esgotos travestidos de cidade nas periferias do mundo não se pode mais viver sem um esgotamento moral que dilata os sentidos, sem destruir os sentidos.

    A violência política que assola o mundo ameaça estropiá-lo e figura-se tão nociva à manutenção social que pode fazer o que nenhuma guerra teve o pode de fazer até aqui: aluir todo o globo numa hecatombe sem precedentes.

    O colapso político-narcótico do México é o exemplo que tomarei para ilustrar o desastre. Sem falar do caos do Paquistão devastado e as misérias de sempre nas áfricas.

    Historicamente, governos fracos foram dissolvidos ou expurgados; é o que parece ocorrer por hoje. Quando 72 pessoas de diversos países são chacinadas em território estrangeiro e não há uma comoção mundial que não apenas se comova, mas que aja, é fato relevante.

    O atual presidente norte-americano quer, contrariando o princípio maquiavélico (adjetivo bom) ser amado e não temido, e eis o risco do colapso a se aproximar. Sendo amado, ele não pode agir com pulso e sem pulso não há ordem, exceto a do caos.

    Diante da fraqueza institucional mundana, o que sobra é o desamparo.

    O mundo, de norte a sul, tem se tornado um lugar sem cor, sem sorrisos. O que diferencia este atual e triste momento da história dos outros momentos, é que nesse paira um certo desamor pelo o que é justo e verdadeiro; a importância dada ao ter em detrimento de ser tem liquidado alguns clarões de esperança. Hoje mais do que sempre impera a lei da estética e da fama; o mundo das celebridades é o nirvana da ralé, ralé que acampa todas as classes, todos os credos.

    Vejo-me não raro atuando em prol desse colapso, assistindo programas que emburram, consumindo fofocas, ou achando normal uma corrupção de pequena monta que se comete como se transpira. Não se sabe se a sensação de exclusão é que dinamita a consciência. A salvação, cogito, está no simples ato de renegar a bestialidade que hoje tem sido charmosa, aprazível. Faça isso, se puder, renegue os absurdos que passam na TV, não faça vista grossa para os escândalos do PT e desconfie da timidez da oposição. Tente mudar, quem sabe assim haverá uma chance...



    Escrito por alexbezerrademenezes às 22h34
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